Documentos Manifesto JMS para a 3• Conferência Nacional da Militância Socialista

Manifesto JMS para a 3• Conferência Nacional da Militância Socialista

JUVENTUDE QUE OUSA LUTAR!
MANIFESTO JMS PARA A 3º CONFERÊNCIA NACIONAL DA MILIT NCIA SOCIALISTA

“Não estamos perdidos. Ao contrário, venceremos se não tivermos desaprendido a aprender.” – Rosa Luxemburgo

Vivemos um período singular na história do Brasil. São tempos difíceis para a nossa democracia e pra esquerda brasileira. Nunca a ruptura do processo democrático esteve tão ameaçada como nestes sombrios dias, em que o movimento golpista, unificado em torno de lideranças de partidos de oposição, dos meios de comunicação de massa e da elite empresarial, tenta demolir o mandato da presidenta Dilma Rousseff, rasgando os mais de 54 milhões de votos legítimos obtidos nas urnas em 2014.

Observa-se uma polarização muito grande dos projetos políticos hoje colocados pra sociedade. O acirramento entre as classes aumenta e as contradições se tornam cada vez mais nítidas. As ofensivas de um projeto conservador na tentativa de um retrocesso de tudo que foi conquistado nos últimos anos, frutos da luta da classe trabalhadora, se intensificam cada vez mais. Eduardo Cunha, réu na Operação Lava Jato, presidente da Câmara dos Deputados e referência do PMDB, é a personificação desse projeto, ao lado de figuras igualmente nefastas como o vice-presidente Michel Temer, deputados como Paulinho da Força e Jair Bolsonaro, e o juiz Sérgio Moro. Um projeto golpista, corrupto e que ataca não somente a nossa democracia, mas visa criminalizar o PT e eliminar o conjunto dos movimentos sociais, com medidas como a CPI da UNE, o assassinato de três militantes sem-terra ligados ao MST no Paraná, e a proibição pelo MPF de manifestações em universidades. É um estado policial de exceção em pleno funcionamento.

Em que pese a crise econômica atual, os anos em que Lula e Dilma Rousseff governaram o país foram marcados por mudanças profundas na vida dos brasileiros, com conquistas reais e inéditas na história nacional. É fato que as políticas de juventude avançaram muito nessa fase, mas é realidade também que a partir de junho de 2013 observamos que velhos modelos já não dão conta da pluralidade da juventude. Com as politicas de democratização do acesso ao ensino superior, a juventude da classe trabalhadora torna concreto o sonho do acesso às universidades. Politicas como o Reuni, ProUni, Sisu, FIES e o Pronatec, permitiu o acesso de milhões de jovens ao ensino superior e profissionalizante, contribuindo para reduzir as assimetrias regionais e abrindo novas perspectivas para as gerações futuras.

Infelizmente, a juventude do PT pareceu se perder nesse processo e não deu conta desse avanço, não modernizou seu diálogo e se cristalizou na disputa pela juventude. Disputar a juventude passa por entender seus valores. É inegável que o modelo de redução das desigualdades sem realização de reformas estruturais de base, e sem alterar o modo de geração de riqueza, sobretudo no que diz respeito ao capital especulativo, está totalmente esgotado. O “lulismo”, como se convencionou chamar o jogo onde “todos ganham, de cima a baixo na pirâmide social”, já não consegue mais responder a esse impasse, pois está baseado num acordo que manteve privilégios da elite, adiando reformas econômicas e sociais mais profundas em nome da governabilidade. O Partido dos Trabalhadores hoje vive uma situação que é consequência de uma insuficiência tática do partido. O esgotamento da tática do partido nos leva ao limite da política. Precisamos conduzir uma nova tática para o novo tipo de disputa de sociedade que se inicia agora. É necessário que se tenha um espaço intenso de auto critica, de formação de novos quadros, e de diálogo prioritário com os movimentos sociais. Sem assumirmos essas responsabilidades estamos fadados ao definhamento do partido.

A juventude hoje quer viver, trabalhar, estudar, ter direito à cidade, ao seu corpo, à sua livre escolha. São diversos os movimentos que têm surgido nessa era de inovação nas formas de organizações das juventudes. A disputa ideológica se faz cada vez mais necessária. Sobretudo entre a juventude, cresce o número de pessoas que não vivenciou as agruras do período neoliberal.

Democratização e regulamentação dos meios de comunicação a fim de garantir um espaço livre e democrático de debate com a sociedade é pauta central e prioritária pra nossa militância. A nossa juventude que hoje observa um golpe sendo apoiado e orquestrado pela grande mídia brasileira, que serve aos interesses do capital, não pode deixar de lutar contra o monopólio dessa mídia. A Rede Globo tem um lado, e não é o do povo.

Precisamos pautar a regulamentação das drogas e o fim da guerra às drogas. A atual política brasileira sobre drogas sustenta o status quo que vem desde a época do Brasil colônia, onde uma elite domina e a maioria da sociedade é oprimida. A política sobre drogas brasileira é um verdadeiro genocídio da juventude negra, da população socioeconomicamente vulnerável e das comunidades e dos bairros periféricos.

O Partido dos Trabalhadores deve retornar o dialogo com os movimentos sociais e se desatrelar das grandes empreiteiras, do agronegócio e do capital financeiro internacional, setor esse que vem se expandido na exploração dos recursos naturais do país sem nenhuma responsabilidade sócio-ambiental. Somado a assim um grande aparato repressivo sobre aqueles que buscam fazer o enfrentamento em defesa de seus territórios.

Nesse sentido nós da juventude da militância socialista acreditamos que o papel da juventude nesse processo de disputa é, não só fundamental como central. Precisamos formar nossa base, formar novos quadros e disputar as direções do nosso partido. É imprescindível nos organizarmos junto aos movimentos sociais, movimento de mulheres, movimento LGBT, movimento negro, camponês, Indígena e quilombolas. Precisamos tocar reformas estruturais. Precisamos disputar a mídia, as candidaturas populares e pautar uma reforma agrária. Precisamos enquanto partido defender o governo e ao mesmo tempo disputar seus rumos.

Desafios de uma juventude socialista, democrática e popular

O Partido dos Trabalhadores, desde o início da sua construção, jamais abordou a temática da organização de juventude como um eixo estratégico da sua intervenção, ao contrário: mesmo que a juventude, sobretudo o movimento estudantil, tenha cumprido papel importante no fortalecimento do partido em fins dos anos 70 e início dos anos 80, a organização de juventude no PT não foi prioridade. Daí, possivelmente, podemos notar uma das razões para que jamais tivéssemos unidade suficiente para transformar a juventude de um partido de massas numa juventude de massas, já que o diálogo junto á juventude ficou basicamente sob a responsabilidade das correntes internas.

A unidade interna no PT ocorre, em maior ou menor grau, em momentos esporádicos. Ela atinge o seu cume nos períodos eleitorais, sobretudo em eleições majoritárias para Governos dos Estados e para a Presidência da República. Após dois congressos de juventude com relativa mobilização e unidade interna, mesmo com diversas teses e chapas, o último “Congresso” proposto para ocorrer em 2015, foi um fiasco de ponta a ponta, marcado por fraudes generalizadas. A polarização política presente no partido se acirrou de tal forma que foi impossível um acordo mínimo desde as etapas preparatórias.

Não podemos deixar de considerar o empenho da juventude petista na luta contra o golpe. Mesmo sem um diretriz política que possa dar um sentido maior á batalha, a nossa juventude tem trabalhado duro para organizar ações de rua em defesa da democracia. Em alguns casos, jovens ligados e ligadas ao campo majoritário interno tem ultrapassado decisões de suas lideranças tradicionais e participado de atividades outrora inconcebíveis.

Sendo assim, acreditamos que a luta contra o golpe pode abrir um novo cenário de lutas sociais com o protagonismo da juventude. São dezenas de milhares de ativistas organizando atos, plenárias, saraus etc praticamente todos os dias. Nesse sentido, é fundamental um agrupamento político que possa atuar organicamente construindo e pautando no ascenso das lutas. Um coletivo político orgânico, com algum nível de centralismo, com sólida formação política, prática militante, abnegação suficiente e disponibilidade para entender que toda e qualquer construção nesse nível não será de curto prazo.

A juventude socialista, democrática, popular e de massas será o embrião da organização política que estará a altura dos desafios da conjuntura. Será a vanguarda das lutas sociais na América Latina e da construção de uma internacional socialista do cone sul com protagonismo de trabalhadores e trabalhadoras, mulheres, negros e negras, índios e da juventude.
Ousadia Militante

A Militância Socialista está diante de uma conjuntura única em sua trajetória no PT. A conjuntura muda aceleradamente, mas é indiscutível a necessidade de fortalecermos nossa atuação partidária e junto ao movimento social, com a ousadia militante que a luta de esquerda requer hoje. Entendemos que uma das tarefas principais da 3ª Conferência Nacional da MS será ampliar a organicidade de nossos militantes atuais, tarefa indispensável para manter a corrente com intervenção política permanente nos espaços em que atuamos.
Além disso, precisamos aproveitar o acúmulo político que nossos quadros têm para construir novas pautas e potencializar aquelas em que somos referência. Temos o desafio de agregar para a MS as experiências acumuladas em Participação Social no governo federal e no governo estadual do Ceará, na Secretaria de Mobilização do PT nacional, no Conselho Nacional de Juventude, no movimento estudantil, em direitos humanos, no meio ambiente, nas plataformas de participação em rede, educação popular, feminismo, centros políticos e culturais, entre tantas outras.

A Juventude da Militância Socialista propõe algumas tarefas primordiais para a organização da corrente no próximo período:

Por uma nova política de finanças da corrente, em que todos os filiados contribuam de acordo com seus rendimentos
Participar da organização e composição de conselhos municipais, estaduais e nacionais de representação da sociedade civil, espaços importantes de formulação de políticas públicas
Debater no âmbito governamental a pauta de Participação Social, buscando ampliar o acúmulo de conhecimentos na área
Estruturar uma política de comunicação que permita disseminar os posicionamentos da corrente para dentro e fora do partido
Fortalecer as temáticas de Juventude, Mulheres, Igualdade Racial, LGBT, Indígena e Juventude do Campo, promovendo seminários temáticos sobre estas pautas e dialogando com a base dos movimentos sociais organizados

Top